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quinta-feira, 28 de junho de 2007

Bookvice

Porque a leitura é um vício, decidi publicar na blogosfera algumas das minhas leituras, para que outros possam partilhar da emoção que é viajar para outros mundos e outras realidades quando se mergulha nas páginas de um livro. Por isso, estão todos convidados a conhecer o meu novo "cantinho" dedicado às leituras: Bookvice. Espero que gostem das sugestões que aí vou deixando.

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Notas sobre um país... grande (?)

Descobri Bill Bryson no suplemento Y do Público e achei que Notas sobre um país grande seria um livro interessante de ler. Este autor é muito conhecido por ser um escritor de viagens, género que até então não me tinha cativado, mas fiquei fã da sua escrita, carregada de humor e ironia. Neste livro encontramos uma compilação de artigos que o autor escreveu para um jornal inglês aquando do regresso ao seu país natal – EUA – após duas décadas a viver em Inglaterra. O que Bill Bryson nos relata, no seu estilo inconfundível, são as suas peripécias, situações caricatas e perplexidades perante a tentativa de se adaptar ao american way of life, no seu regresso à terra onde nasceu. Um livro desconcertante, que não deve ser lido em público, pois pode causar embaraço pelos ruídos estranhos que se possam emitir...

Extracto:

“Fiz uma vez uma piada num livro sobre as três coisas que uma pessoa ao longo da vida nunca conseguirá fazer. Não podemos ganhar à companhia dos telefones, não podemos fazer com que um empregado de mesa nos veja até que ele esteja preparado para nos ver e não podemos regressar à terra natal. Durante os últimos dezassete meses tenho estado silenciosamente, e até mesmo corajosamente, a reequacionar o ponto número três."

sábado, 14 de abril de 2007

Soeiro Pereira Gomes nasceu há 98 anos

Soeiro Pereira Gomes foi um dos maiores nomes do neo-realismo literário em Portugal. Nascido a 14 de Abril de 1909, desenvolveu uma sensibilidade social muito grande, que se reflectiu no seu trabalho, onde está sempre presente a denúncia das desigualdades e das injustiças. Em 1939, começou a publicar escritos seus no jornal "O Diabo", à época uma publicação progressista que contrastava no panorama cinzento das publicações censuradas pelo fascismo.

Devido à condição de militante comunista, passa à clandestinidade em 1945 para evitar a repressão do regime de Salazar e continua a desenvolver o seu trabalho militante até adoecer com tuberculose. Impedido pela clandestinidade de receber o tratamento médico que necessitava, faleceu a 5 de Dezembro de 1949. Encontra-se sepultado em Espinho, terra que o acolheu durante a sua infância.

Entre os seus trabalhos conta-se a obra Esteiros, publicada em 1941, considerada a sua obra-prima, e dedicada "aos filhos dos homens que nunca foram meninos". É uma obra de profunda denúncia da injustiça e da miséria social, que conta a história de um grupo de crianças que desde cedo abandona a escola para trabalhar numa fábrica de tijolos.

domingo, 11 de março de 2007

A Casa das Musas

Ana Hatherly é um dos nomes mais importantes da vanguarda artística e literária da segunda metade do século XX. Poeta, ensaísta e romancista, fez parte do Grupo de Poesia Experimental durante os anos 60 e 70. A sua produção artística desenvolve-se no campo das artes visuais, pintura, desenho, poesia e até cinema. A sua principal motivação é explorar as possíveis ligações sonoras e visuais da Palavra, estabelecendo pontos comuns entre a literatura e as artes visuais.

Neste seu ensaio "A casa das musas", Ana Hatherly dedica-se ao estudo da poesia visual do período barroco português e a relação que esta tem com a poesia visual do século XX. O seu objectivo não é justificar a poesia visual feita no século XX mas sim conhecer as suas raízes e trajecto ao longo dos tempos.

Mas o que é a poesia visual? O Concretismo e o Experimentalismo expandiram o conceito de poema como objecto escrito e a sua representação visual tornou-se um aspecto decisivo da sua estrutura, ou seja, pode resumir-se o que é poesia visual através das palavras da própria Ana Hathely: "retirar o poema da página e apresentá-lo como objecto tridimensional ou como uma performance". Um livro cativante como sugestão de leitura para quem se interesse por esta temática.

segunda-feira, 5 de março de 2007

História da Beleza

Ao longo de 400 páginas Umberto Eco expõe ideias, reproduz textos históricos, análises e ilustrações, mas História da Beleza não é um livro sobre Arte. Como ele próprio afirmou: ''é uma história da Beleza e não uma história da arte [...] logo, só serão citadas as ideias expressas no decorrer do tempo sobre a arte quando relacionarem Arte com Beleza''. Os exemplos do que foi e é considerado belo vão além das pinturas, estendendo-se à arquitectura, às fotografias do quotidiano, à publicidade, à moda. Antes de chegar ao século XX, Eco passeia por Grécia e Roma antigas, pela Idade Média, pelo Renascimento, pela estética vitoriana do século XIX. Apoia-se em textos de Platão, Eric Hobsbawm, passando por Dante, Kant, Hegel e Kafka, e reproduz textos destes e de muitos outros autores. Trata-se de uma viagem pela história do homem, da arte e, sobretudo, do olhar. Uma viagem extraordinária.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

As Pequenas Memórias

Este é um livro de recordações que abrange o período entre os quatro e os quinze anos da vida de José Saramago. Como o próprio autor referiu: "Queria que os leitores soubessem de onde saiu o homem que sou". Um livro de memórias, relembradas de forma singular, num estilo a que o Nobel português nos habituou há muito.

domingo, 25 de fevereiro de 2007

Cemitério de Pianos

«à procura, procura do vento. Porque a minha vontade tem o tamanho de uma lei da terra. Porque a minha força determina a passagem do tempo. Eu quero. Eu sou capaz de lançar um grito para dentro de mim, que arranca árvores pelas raízes, que explode veias em todos os corpos, que trespassa o mundo. Eu sou capaz de correr através desse grito, à sua velocidade, contra tudo o que se lança para deter-me, contra tudo o que se levanta no meu caminho, contra mim próprio. Eu quero. Eu sou capaz de expulsar o sol da minha pele, de vencê-lo mais uma vez e sempre. Porque a minha vontade me regenera, faz-me nascer, renascer. Porque a minha força é imortal.»

Aqui fica esta sugestão de leitura, de um jovem autor português do qual eu gosto muito: José Luís Peixoto. A sua forma de escrever é extremamente poética, mesmo quando o texto é em prosa, brinca com as palvras de forma subtil, construindo jogos narrativos que nos envolvem e prendem como uma teia.